Curso: Às margens da poesia e do romance

27/06/2019 13:34

Dando sequência à programação da Escola de Altos Estudos UFSC-USP, divulgamos a disciplina a ser ministrada pelo Prof. Titular Enrico Testa (Univ. Genova).

Data do Curso – 26-30 de agosto de 2019

Matrícula Alunos Regulares: 22 a 26 de julho

Matrícula Disciplina Isolada: 5 e 6 de agosto

Programa:

Às margens da poesia e do romance. Da língua suspensa entre gramática e sentido ao personagem menor da narrativa

Período UFSC: 26-30 de agosto 2019

Período USP: 2-6 de setembro 2019

Programa: Neste ciclo de aulas pretende-se abordar, examinando alguns textos poéticos e narrativos, um ponto crucial da reflexão sobre a linguagem, resumível na questão: “Gramática e língua coincidem? Ou há fenômenos que escapam dessa equivalência presumida e totalizante?”. Para tal fim, após propor as definições mais usuais de “gramática”, serão pontuados e problematizados aspectos verbais que parecem fugir de um rígido enquadramento gramatical, como onomatopeias, interjeições, sinais discursivos, reticências, elementos dêiticos, etnônimos, episódios do assim chamado “discurso interior” – verdadeiros casos de texto agramatical – e o fenômeno singular de “gramáticas em conflito”, representado pela tradução poética. Na convicção de que o nexo entre marginalidade e literatura não é um aspecto redutível unicamente à dimensão linguística, será tratado, finalmente, o papel da personagem menor no romance, considerado como uma espécie de interjeição no tecido, diegético, “lógico” e, logo, gramatical da narração.

Aula 1Toda regra tem suas exceções

O que é a gramática? Etimologia e história do termo. Especificidades da gramática do italiano. Gramática de frase e gramática do texto. Alguns primeiros fenômenos fundadores da linguagem e da textualidade, mas laterais à gramática como código: onomatopeias, interjeições e sinais discursivos. Leitura e comentário de Dialogo, de Giovanni Pascoli (de Myricae), Lamento I III de Giorgio Caproni (de A passagem de Enéas).

Aula 2A palavra entre contexto e silêncio

Análise da ancoragem situacional do discurso (a dêixis), do uso depreciativo e ideológico da categoria linguística dos etnônimos e, no polo oposto, do significado do silêncio e do gênero específico do “discurso interior” ou endofasia. Exemplos da língua comum e jornalística. Leitura e comentário de trechos de Narratori delle pianure [Narradores das planícies] e Quattro novelle sulle apparenze [Quatro contos sobre aparências], de Gianni Celati e de O jogo do reverso, de Antonio Tabucchi. Análise de La piccola cordigliera [A pequena cordilheira] e Il vetrone [A lâmina de gelo], de Giorgio Caproni (de Il Conte di Kevenhüller [O conde de Kevenhüller]e Il muro della terra [O muro da terra]). Exemplos de Diario, de Jacopo da Pontormo.

Aula 3A gramática desengonçada e as gramáticas no espelho

Leitura e comentário de textos “desgramaticados” de duas semicoletâneas: uma mística do século XVII (S.Veronica Giuliani, Diario, 17-18 de janeiro de 697) e um pícaro emiliano do século XX (P. Ghizzardi, Mi richordo anchora [Ainda me lembro]). E, no polo oposto de complexidade, o caso da translação da palavra poética de uma língua e de um sistema de regras para outra língua e suas regras. Exemplos de tradução poética retirados do Quaderno di traduzioni [Caderno de traduções], de Eugenio Montale.

Aula 4O personagem no romance

Premissa à marginalidade narrativa: uma tentativa de distinção entre dois grandes tipos de personagem de romance, com exemplos de textos italianos e estrangeiros.

Aula 5Quase uma gralha ou um erro: o personagem menor

Qual é a função dos personagens que aparecem de forma elíptica no desenvolvimento da trama? Algumas vezes parecem enquadráveis no estatuto do grito, outras vezes no estatuto da pausa de silêncio, do comentário à margem ou da exclamação. Por meio de uma série de casos tentaremos identificar alguns traços constantes e de união.

Agamben. Il linguaggio e la morte, Torino, Einaudi, 1982.

Agamben. Categorie italiane. Roma-Bari: Laterza, 1996.

Agamben. Infanzia e storia. Torino, Einaudi, 1978.

Agamben, Pascoli e il pensiero della voce. Prefazione a G. Pascoli, Il fanciullino, Feltrinelli, Milano 1982, pp. 7-21.

Barthes, Perché amo BenvenisteLa divisione dei linguaggi, in Id., Il brusio della lingua. Saggi critici IV, Einaudi, Torino 1988, pp. 173-177; 99-111.

Bazzanella, Segnali discorsivi, in Enciclopedia dell’italiano, cit., pp. 1303-1305*

Bazzanella, Linguistica e pragmatica del linguaggio: un’introduzione, Laterza, Roma-Bari 2009.

Blanchot. Il libro a venire, Torino, Einaudi, 1969.

G.R. Cardona, Introduzione all’etnolinguistica, Torino, Utet 2006, pp. 183-202.

G.R. Cardona, Testo interiore, testo orale, testo scrittoLinguaggio, pensiero e razionalitàModalità linguistiche della preghiera interiore, in G.R. Cardona, I linguaggi del sapere, a cura di C. Bologna, Laterza, Roma-Bari 2006, pp. 333-344; 355-361; 362-367.

D’Achille, L’italiano dei semicolti, in Storia della lingua italiana, a cura di L. Serianni e P. Trifone, vol. III, Einaudi, Torino 1994, pp. 41-79.

Cignetti, Interiezione, in Enciclopedia dell’italiano, cit., pp. 671-674*

Mortara Garavelli, Manuale di retorica, Bompiani, Milano 1997, pp. 253-254 e 319-320.

Foucault. Il pensiero del fuori. SE. Milano, 1998.

Garroni, L’indeterminatezza semantica: una questione liminare, in Ai limiti del linguaggio, a cura di F. Albano Leoni e altri, Laterza, Roma-Bari 1998, pp. 49-78.

Serianni, Prima lezione di grammatica, Laterza, Roma-Bari 2006.

Marazzini, Grammatica, in Enciclopedia dell’italiano, diretta da Raffaele Simone, Istituto dell’Enciclopedia Italiana, Roma 2011, pp. 599-603*

Palermo, Linguistica testuale dell’italiano, Bologna, il Mulino 2013.

Testa, Pascoli, Giovanni, in Enciclopedia dell’italiano, cit., pp. 1072-1074*

Testa, Prefazionea E. Montale, Quaderno di traduzioni, il cannetto il lungo, Genova, 2018.

Testa, Eroi e figuranti. Il personaggio nel romanzo, Einaudi, Torino 2009.

Testa, Il personaggio minore come risorsa etica del romanzo, in I personaggi minori. Funzioni emetamorfosi di una tipologia del romanzo moderno, a cura di S. Sbarra, Pacini, Pisa 2017, pp. 171-198.

Vanelli e L. Renzi, La deissi, in Grande grammatica italiana di consultazione, a cura di L. Renzi, G. Salvi e A. Cardinaletti, vol. III, Bologna, il Mulino 1995, pp. 261-375.

Woloch, The One vs. the Many. Minor Characters and the Space of the Protagonist in the Novel, Princeton University Press, Princeton 2003, pp. 125-176.