Encontro com o poeta Valerio Magrelli

05/09/2019 14:13

Valerio Magrelli (Roma, 1957) é, sem dúvida, uma das grandes vozes do panorama literário italiano contemporâneo. Romano de nascença conta com 40 anos de uma carreira de grande repercussão entre o público em geral e a crítica mais especializada, sendo traduzido para diferentes línguas, dentre elas inglês, espanhol, francês. Poeta, tradutor e professor de literatura francesa na Università di Roma III, Magrelli é da mesma geração de outro poeta que vem ganhando espaço em nosso mercado editorial, Enrico Testa, também editado pela Rafael Copetti Editor.

30/10/2019

10h – Palestra de Valerio Magrelli: “Poesia, segno e disegno”, na sala Machado de Assis – CCE/UFSC

17h30 – Encontro com o poeta na Biblioteca do CIC

66 poemas é uma antologia que percorre seis livros e conta ainda com uma seção de textos inéditos. Os livros abarcam mais de quatro décadas de trabalho: Ora serrata retinae (1980), Naturezas e nervuras (1987), Exercícios de tiptologia (1992), Legendas para a leitura de um jornal (1999), Distúrbios do sistema binário (2006), O sangue amargo (2014). A palavra de Magrelli se abre para o diálogo com as de autores que lhe são caros: Rilke, Auden, Nabokov, Berkeley, Rousseau, Mandelstam, Michaux, Luzi, Caillois, Larkin, Nietzsche, Baudelaire, Montale, Dante, Pagliarani, Borges.

É a relação com o fora que deixa marcas na subjetividade inscrita nessas páginas, presente sim, mesmo sendo esgarçada despotencializada; trata-se de um eu que necessita da pluralidade para sua singularidade. No que diz respeito ao próprio trabalho com a língua poética, Magrelli afirmou na entrevista publicada em Vozes: cinco décadas de poesia italiana que: “Se a escritura é a ligação que une autor e leitor, se cada sociedade se estabelece com o compartilhamento de uma linguagem, a poesia tem a função de levar a comunicação ao seu limite último”.

Do ponto de vista poético, um livro riquíssimo, de muitas experimentações, diálogos com a tradição literária, em que Valerio Magrelli encena um fluxo contínuo e aporético: uma vez que, a poesia exige uma aproximação e, ao mesmo tempo, uma subtração diante dos materiais verbais do jogo do comércio cotidiano.

Encontro com o poeta Enrico Testa

27/06/2019 13:34
Dentro das atividades das Quarta Italianas, projeto realizado em parceria com a Biblioteca de Arte e Cultura do CIC, foi realizado no dia 28 de agosto o encontro de leitura e debate com o poeta italiano Enrico Testa (Genova, 1956).
Foram lidos alguns poemas inéditos publicados pela primeira vez em Jardim de Sarças da Editora carioca 7Letras.
Assista o video  realizado por Alexandre Manoel Nascimento fruto do encontro.]
Essa também foi uma ocasião para se falar do livro de crítica dedicado ao personagem do romance, Heróis e figurantes, editado pela Rafael Copetti Editor.

Intrigante e surpreendente leitura do personagem no romance é essa oferecida pelo crítico e poeta italiano Enrico Testa, por meio de uma ampla incursão em
alguns textos literários que marcaram o século XX. Não se trata de mais uma definição teórica da categoria do personagem, mas sim de uma atenta experiência de leitura e reflexão que é compartilhada com o leitor.

Com inteligência e argúcia, de forma criteriosa e com uma precisão única, Testa apresenta nos curtos e intensos capítulos desse volume uma hipótese interpretativa inovadora ao identificar duas tipologias: a primeira caracterizada pelo personagem absoluto, aquele que não sofre evolução ou mudança ao longo do romance, vivendo imerso em sua subjetividade e podendo ser autor de grandes monólogos — são eles os heróis, providos de uma exagerada subjetividade; a segunda que
tem como referência o personagem relativo, cujo perfil é dado pelas circunstâncias e vivências, enfim, pelo contexto relacional. Nesse último caso, a forma dialógica, como espaço de troca entre as esferas dentro-fora e singular-plural, é preponderante. São eles os figurantes, que não abrem mão de uma identidade, mas expandem e dissolvem o espaço da subjetividade, colocando-a diante de uma radical exposição ao outro. A dinâmica das relações humanas, com todas as suas contradições e tensões, está no centro da reflexão crítica de Enrico Testa, que não pode deixar de chamar a atenção para questões morais e éticas. As leituras de Woolf, Bernhard, Kafka, Ishiguro, McEwan, Yehoshua, Saramago, Roth, Marías, Auster, DeLillo, Coetzee, Grossman, dentre outros, trazem, justamente, como mote a natureza ética das relações humanas.

Essa não é a primeira vez que Enrico Testa trata do personagem, da “voz” ou “vozes” desencadeadas pelo texto literário. Na verdade, esse parece ser um dos eixos de suas reflexões como crítico (tanto de narrativa quanto de poesia) e também como poeta. De fato, muitas das colocações desenvolvidas nessas páginas encontram consonâncias em seu laboratório poético, como pode ser visto nos já traduzidos Ablativo(2014), Páscoa de neve (2016), Jardim de sarças (2019) e no volume crítico Cinzas do século XX: três lições de poesia italiana (2016).

Resíduos do humano

19/06/2019 14:35

FAÇA O DOWNLOAD GRATUITO AQUI 

 

 

 

O sobrevivente do século XX é um homem dilacerado, o homem da contemporaneidade, momento em que as visões totalizantes (outra coisa são os totalitarismos) são colocadas em xeque, diante de um mundo em constante mudança que só consegue dar conta – quando dá – de pequenas partes, fragmentos, ruínas.
A literatura configura-se, então, como lugar de revolta da linguagem e lugar de revolta da história, da experiência. Ecos, vibrações, vozes silenciosas são movimentos, outras vidas e memórias de tempos naufragados. Um naufrágio que está ali, adormecido, talvez esquecido, mas pode vir à tona a qualquer momento.
Como ler hoje, na contramão ou nas entrelinhas de certa história literária, as vertentes que questionam os axiomas do próprio fazer literário – sujeito, palavra, personagem, contexto – e o “centralismo humanista” desse fazer?
Os sete ensaios aqui reunidos aceitam o desafio de colocar em discussão essa e outras temáticas correlatas, a partir, sobretudo, da análise das obras de alguns autores : Antonio Tabucchi, Silvio D’Arzo, Gianni Celati, Angelo Maria Ripellino, Giuseppe Ungaretti, Giorgio Manganelli, Juan Rodolfo Wilcock, Italo Calvino, Rina Sara Virgillito.
Resíduos do humano é um primeiro momento de discussão crítica que será continuada, em volumes de próxima publicação, a partir de questões paralelas como o contemporâneo e o anacrônico.

Literatura e Arte no Pensamento Italiano Contemporâneo Escola de Altos Estudos – CAPES

17/03/2019 19:07

 

As aulas em PDF e os vídeos já estão disponíveis

(link Profa. Aurora Conde Muñoz abaixo)

 

 

 

Curso: Visibilidade: as ondas concêntricas entre escrita e imagem

Período UFSC: 6-10 de maio 2019 – ppglitufsc@gmail.com

Período USP: 13-17 de maio 2019 – dlm@usp.br

Breve Resumo:

As 5 aulas abordarão novas formas de interação a imagem (plástica, cinematográfica, fotográfica) estabelece com a literatura. A grande mudança que escritura e arte enfrentaram no tocante à dúvida relativa ao real e à indefinição referencial. Serão abordados alguns textos específicos em que a coincidência entre artes visuais e literatura (relação escrita/imagem) deixou rastros particularmente marcantes, contribuindo para uma radical renovação de conteúdos e temáticas.

 

O Núcleo de Estudos Contemporâneos de Literatura Italiana (NECLIT) vem desenvolvendo uma importante atividade de pesquisa no âmbito da literatura italiana e sua relação com o pensamento crítico. Nos últimos anos, organizou congressos internacionais com problemáticas específicas e cruciais para o nosso momento histórico: Resíduos do humano (2016): Contemporaneidades na-da Literatura Italiana (2017); Anacronias na-da literatura italiana e movimentos possíveis (2018). As pesquisas, discussões e os debates em 2018 culminaram na elaboração do projeto “Literatura e arte no pensamento italiano contemporâneo”, aprovado pelo Edital Escola de Altos Estudos – CAPES (Edital 14/2018 CAPES 88881.198177/2018-01), realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da UFSC e o Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas da USP.

As disciplinas oferecidas pelos professores convidados pelo projeto EAE serão realizadas na UFSC e na USP.

 

Para maiores informações, acesse os links abaixo:

Apresentação | Equipe

 

Convidados | Programas

 

Profa. Aurora Conde Muñoz (Universidad Complutense Madri)

 

Prof. Enrico Testa (Università di Genova)

 

Atividades correlatas

Quartas Italianas no CIC | 2019

29/08/2018 12:48

                                                 

         24/04/19                                                 22/05 /19                                                   12/06

  A cada um o seu                                            A filha perdida                                 O visconde partido ao meio

  Leonardo Sciascia                                         Elena Ferrante                                   Italo Calvino

 

A ideia geral é tirar o texto literário da sala de aula e verificar de que formas ele pode falar para leitores diversos e com sensibilidades diferentes. O projeto é dirigido a um público multicultural e interessado em literatura em geral que, por meio de textos da literatura italiana, terá a oportunidade de entrar em contato com textos escolhidos e, de alguma maneira, fundamentais na literatura universal.

 

Projeto Quartas Italianas
Quando: quartas feiras (primeiro encontro: 27/03)
Horário: 17h30
Inscrições: até 26 de março de 2019
Clique aqui para acessar o formulário de incrições
Local: Biblioteca de Arte e Cultura / CIC
Endereço: Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600
Agronômica – Florianópolis – SC
Informações: (48) 3664 2683.

Blog – Literatura Italiana Traduzida no Brasil – siga e fique atualizado!

07/05/2018 18:25

O blog da Literatura Italiana Traduzida é uma ferramenta de pesquisa fruto do trabalho do Dicionário de literatura italiana traduzida no Brasil,que reúne, registra e cataloga, por meio de verbetes, os livros publicados no Brasil, desde 1900 até os dias de hoje, e é fruto de uma parceria entre a UFSC e a USP. Este projeto de pesquisa jà contou com apoio do CNPq, da CAPES e da FAPESC.

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